O poder do chocolate

O chocolate é feito a partir do cacau, o fruto do cacaueiro, uma árvore originária das regiões tropicais da América do Sul. O nome científico do cacaueiro é Theobroma cacao, sendo que theobroma significa “o alimento dos deuses”.

As sementes de cacau eram utilizadas como moeda de troca pela civilização asteca, no México, há cerca de 3000 anos. O cacaueiro dá-se igualmente na África Ocidental e no Sudoeste Asiático.

As sementes do cacau são submetidas a muitas operações antes de se produzir o chocolate. Primeiro são fermentadas e secas ao sol antes de serem embaladas para exportação. Nos países consumidores, os fabricantes do chocolate escolhem e limpam os grãos e torram-nos para melhorar o sabor e o aroma. Os grãos torrados são depois descascados e triturados.

A temperatura atingida durante a trituração derrete a gordura das sementes, obtendo-se uma substância gorda e amarga, o licor de cacau. A manteiga de cacau é libertada do licor por meio de prensagem, obtendo-se por fim um produto sólido de cacau. É com este produto, depois de moído e peneirado, que se fabrica o cacau em pó.

O chocolate como produto de confeitaria resulta da adição de açúcar, gordura e leite – no caso do chocolate de leite – ao licor de cacau. Normalmente, a gordura adicionada ao chocolate é a manteiga de cacau, que lhe confere a sua textura inconfundível.

Riqueza nutricional

Do ponto de vista nutricional, o chocolate é fonte de proteína, quantidades variáveis de açúcar, gordura e certas vitaminas e minerais, como cálcio, magnésio, ferro, carotenos, vitamina E, vitamina C e vitaminas do complexo B. Por ser rico em gordura, o chocolate apresenta um teor calórico elevado, cerca de 500 kcal por 100g.

A ingestão de chocolate aumenta a produção de endorfinas e serotonina, que apresentam um efeito estimulante. A sensação de bem-estar e felicidade, proporcionada pelo chocolate deve-se, em parte, à substância feniletilamina, que ocorre naturalmente no cérebro, libertando-se em alturas de excitação emocional.

O cacau contém ainda cafeína e teobromina, compostos que estimulam o sistema nervoso central, contribuindo para o aumento do estado de alerta e estímulo do raciocínio. Para algumas pessoas, o chocolate têm um efeito calmante, uma vez que o associam, desde crianças, a conforto ou recompensa.

As evidências científicas acumuladas nos últimos anos demonstram que o consumo moderado de chocolate, especialmente chocolate negro e amargo, pode exercer efeitos protectores contra o desenvolvimento de doença cardiovascular. Este efeito cardioprotector parece dever-se à presença dos flavanóides do cacau.

Por outro lado, o chocolate é muito rico em gordura e açúcares, constituindo um produto alimentar altamente calórico. A ingestão excessiva pode estar na base do desenvolvimento de obesidade e todas as doenças associadas. Por isso, o melhor mesmo é desfrutar do chocolate com conta, peso e medida.

Fonte: APN – Associação Portuguesa de Nutricionistas