ECAL: Uma inovação que revolucionou a distribuição alimentar (Parte I)

Hoje, as embalagens de cartão para alimentos líquidos (ECAL) fazem parte do dia-a-dia de milhões de pessoas em todo o mundo. São tão habituais nos supermercados e à nossa mesa que quase nos esquecemos como foram e são um conceito de embalagem diferente e inovador. Conheça o que as distingue de outras embalagens e como continuam pioneiras.

As embalagens de cartão para alimentos líquidos surgiram, há 50 anos, com a preocupação de responder à necessidade de distribuir alimentos altamente perecíveis, como o leite, de uma forma mais racional, segura e prática para as pessoas.

A indústria produtora procurava soluções que lhe permitissem conservar o leite por mais tempo, de uma forma segura, em embalagens que fossem fáceis de transportar e práticas para o consumidor.

Nascia assim, no início da década 60 do século XX, a embalagem asséptica em cartão que vinha aliada ao método de ultra-pasteurização – um processo de tratamento dos alimentos que permite eliminar os microrganismos patogénicos sem destruir as características organolépticas (isto é, a textura, sabor e aroma) e o valor nutricional dos alimentos.

Mas o que confere à embalagem asséptica de cartão esta capacidade de proteger e conservar os alimentos?

Em primeiro lugar, o material de embalagem. Este reúne três componentes, com propriedades distintas, que ao serem conjugados constituem uma barreira protectora do alimento contra a acção destruidora do ar e da luz. O cartão (que representa 70% do material de embalagem) confere rigidez à embalagem. O polietileno (20% do material) torna-a impermeável e capaz de conter líquidos, e o alumínio (que representa apenas 5% do material de embalagem) constitui uma barreira eficaz à entrada de elementos externos e à acção destruidora da luz e do ar sobre os alimentos.

Em segundo lugar, o processo de enchimento e formação da embalagem asséptica realizam-se em simultâneo, num ambiente esterilizado, através de um processo contínuo. Isto quer dizer que, depois de ultra-pasteurizado, o leite – ou qualquer outro alimento líquido embalado – é conduzido, através de um circuito fechado, até à máquina de enchimento, onde a embalagem vai ganhar a sua forma final.

Depois de passar por uma câmara de esterilização no interior da máquina, o material de embalagem é moldado de forma a dar origem a um longo tubo vertical. Este tubo é cheio com produto e vai ser cortado, abaixo do nível do líquido, de modo a obter embalagens individuais num volume pré-definido.

Este processo permite que cada embalagem contenha no seu interior apenas o alimento que vai acondicionar. Sem ar dentro e com o apoio de um material que constitui uma barreira aos agentes externos, a embalagem asséptica de cartão permite conservar os alimentos em segurança durante vários meses – sem necessidade de conservantes!

Este é o segredo e a chave do sucesso da embalagem de cartão asséptica que revolucionou a distribuição alimentar moderna e que permite levar alimentos altamente perecíveis, como o leite ou os sumos de fruta, a milhões de pessoas em todo o mundo, todos os dias.

Voltamos amanhã com a segunda e última parte do artigo sobre as ECAL, onde iremos destacar as suas vantagens que vão muito além da conservação dos alimentos.