Na segunda e última parte da entrevista, Tim Hogg fala sobre o papel dos nutricionistas e das escolas na educação alimentar das populações e dá dicas para se evitar a contaminação dos alimentos.
Protege o que é Bom: Qual o papel dos nutricionistas e das escolas na educação alimentar das populações?
Tim Hogg: Têm um papel fundamental. Se não forem os nutricionistas e médicos a credibilizar as mensagens veiculados aos cidadãos nas mais variadas formas, quem o poderá fazer?
Protege o que é Bom: No Congresso da Associação Portuguesa dos Nutricionistas (APN) realizado este ano disse que há comida suficiente no mundo, mas que está mal distribuída. O que quer dizer com esta afirmação?
Tim Hogg: A quantidade total de alimentação produzida serve para alimentar a população actual, mas, com as ineficiências e desigualdades inerentes no sistema alimentar mundial, nem todos têm o acesso que é devido. Há comida suficiente no mundo para alimentar a população, mas esta está mal distribuída; as necessidades futuras podem ou não ser satisfeitas com níveis actuais de produção. O mundo desenvolvido apresenta problemas de consumo em excesso que devem ser solucionados.
Protege o que é Bom: Qual é o grande desafio que as sociedades enfrentam nos dias de hoje no que diz respeito à segurança alimentar?
Tim Hogg: É importante centrar a atenção no consumidor e construir os nossos sistemas a partir deles. Há muitas incertezas na ciência relevantes para segurança alimentar e não podemos esquecer nem esconder isso. Temos de ganhar e manter a confiança através da comunicação transparente. O que é importante é ter o máximo cuidado quanto à segurança dos alimentos e mostrar cada passo da sua produção. O grande desafio é manter a confiança do cidadão na cadeia alimentar.
Protege o que é Bom: Quais são as principais preocupações dos consumidores em relação à segurança dos alimentos?
Tim Hogg: Parece uma área bastante volátil e altamente influenciada por factores como os surtos ou incidentes mais recentes e a forma como estes foram tratados pela sociedade. Mas também há diferenças a nível cultural. Por exemplo, encontramos certos grupos a procurar produtos biológicos com base na ideia de que estes produtos são intrinsecamente mais seguros e saudáveis – uma noção que a evidência científica não apoia.
Protege o que é Bom: Como se deve evitar a contaminação dos alimentos?
Tim Hogg: Ao nível da indústria, quem não sabe a resposta não devia estar a produzir alimentos. Já ao nível de consumidor, este deve saber como é que os produtos chegam à mesa. A ciência é importante para definir e diminuir os riscos que os produtos tradicionais representam, em alternativa à aplicação indiscriminada de tecnologias modernas na produção. Se queremos evitar a contaminação, a forma americana parece-me o melhor; limpar, separar, cozinhar e refrigerar. Limpeza e a manutenção de superfícies limpas e secas e a separação, por exemplo, no frigorifico dos produtos que vão ser confeccionados e os que vão ser consumidos sem tratamento posterior. Estas são duas medidas cruciais para evitar a introdução de bactérias patogénicas nos alimentos. Por outro lado, o acto de cozinhar através de altas temperaturas é essencial na eliminação das bactérias patogénicas que podem estar naturalmente presentes nas matérias-primas. O armazenamento no frigorífico faz com que as bactérias presentes se multipliquem tão lentamente que podemos guardar os alimentos em segurança durante mais tempo. Se juntarmos a estas orientações um cuidado especial na obtenção dos alimentos, já temos quase tudo controlado.
Protege o que é bom: Qual é o papel da certificação na rastreabilidade e segurança alimentar?
Tim Hogg: A Segurança Alimentar é uma preocupação global. Todos os anos centenas de milhares de pessoas adoecem devido a toxinfecções alimentares e todos os anos a indústria alimentar tem que suportar grandes custos devido às perdas que ocorrem. A rastreabilidade é, por isso, uma ferramenta indispensável para a garantia da Segurança Alimentar. Permite conhecer a proveniência, o processo e a situação de um produto ou lote de produtos alimentícios ao longo de toda a cadeia e em qualquer uma das suas fases. Um sistema de rastreabilidade também contribui para a segurança e confiança dos consumidores, na medida em que determina as não conformidades dos produtos, demonstrando a capacidade de controlo sobre os produtos, processos e matérias-primas. Um bom sistema de rastreabilidade deve permitir actuar de forma rápida e eficaz perante qualquer problema que surja durante a produção e comercialização de géneros alimentícios.
















