A Assembleia da República aprovou recentemente a criação e os estatutos da Ordem dos Nutricionistas, um dos objectivos para o qual a Associação Portuguesa dos Nutricionistas (APN) tem vindo a trabalhar ao longo de dez anos, noticia o Green Savers.
“É um dia muito feliz, o culminar de um trabalho que permitiu demonstrar a importância deste organismo que nos vai permitir definir mecanismos de auto-regulação profissionais, como regular o acesso à profissão e resolver questões de disciplina”, explicou Alexandra Bento, a presidente da APN.
A responsável acrescentou ainda que “no sector público, quando há alguma inconformidade, o Estado regula, mas no sector privado existiam e continuam a existir situações que não estão conformes, aquilo que seria um código ético e deontológico bem demarcados”.
A introdução de estágios que “façam a ponte entre o título académico e o início da prática profissional”, sempre “de forma inclusiva”, é um dos modelos que Alexandra Bento gostaria de ver implementado com a criação da nova ordem.
“Com a Ordem dos Nutricionistas, os cidadãos ganham muitos direitos e garantias, num país em que se morre de doenças civilizacionais e em que as doenças relacionadas com a alimentação continuam a crescer”, insistiu Alexandra Bento, recordando que “instituições como a que hoje se criou em Portugal, já existem noutros países”, o que tem promovido a credibilização da profissão.
Recorde-se que o processo de criação da Ordem dos Nutricionistas iniciou-se há mais de dez anos, pela mão da APN, sendo que, em Janeiro de 2009, a associação remeteu à Assembleia da República um estudo independente que abordava a necessidade de criação da ordem e que era da autoria de Vital Moreira e um outro do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia, do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa. O projecto contou com o parecer positivo do Ministério da Saúde, em Maio de 2009, depois de ter sido aprovado na generalidade pelo Parlamento a 25 de Março.
Sobre as alterações ao longo destes meses, Alexandra Bento salientou que a ideia inicial era a ordem ser só integrada por nutricionistas, mas após algumas críticas decidiu-se incluir os dietistas. A aprovação da ordem prolongou-se, pois também esteve dependente da nova legislação sobre as associações profissionais de direito público, da qual saiu a regulamentação para a criação de novas ordens profissionais, em 2008.
















