Com o final do Verão começa a azáfama dos pais com o regresso às aulas dos seus filhos: livros novos, cadernos, canetas, lápis, mochilas coloridas, a excitação das crianças que vão rever amigos e professores e o cumprimento de horários, postos de lado durante as férias… O regresso à escola impõe também uma mudança na alimentação das crianças praticada durante o Verão.
Para programarmos a alimentação dos nossos filhos neste regresso às aulas devemos atender a sua idade, peso e tipo de actividade física, mas também aos seus novos horários, gostos e preferências alimentares. Contudo, muitas das vezes, os mais novos preferem aqueles que são prejudiciais à sua saúde, rejeitam precisamente os alimentos mais indicados para a sua alimentação…
Reestruturar a alimentação das crianças pode não ser tarefa fácil, mas nada que não seja possível com uma boa dose de paciência e persistência, fundamentalmente por sabermos que a sua saúde futura dependerá dos hábitos alimentares que lhes incutimos desde cedo.
Mas o que fazer então? Como levar os nossos filhos a ter hábitos alimentares saudáveis?
Tornar um assunto sério, divertido, sempre foi uma boa solução. Em alimentação, isto não é excepção!
Difícil? Nem tanto!
Começar por ensinar as regras da alimentação saudável, com saudáveis brincadeiras: jogos, desenhos ou pequenas histórias com os seus personagens favoritos. Depois não esquecer que os pais são os heróis das crianças e por isso dar o exemplo, ou seja, comer em conveniência!
Finalmente, agradar a criança com cores, formas e sabores diversificados. Mas cuidado: o paladar das crianças não é igual ao dos adultos! Assim, evitar temperar demasiado os alimentos, pois sabores intensos não são do agrado dos mais novos.
E como por em prática, por onde começar este saudável regresso às aulas? Obviamente pelo início, pelo pequeno-almoço!
Todos sabemos que esta é uma importante refeição, pena é que saber nem sempre é sinónimo de fazer. De facto, o pequeno-almoço é fundamental para proporcionarmos ao organismo a energia e os nutrientes necessários ao começo de um novo dia. Um pequeno-almoço completo e equilibrado, além de evitar a fraqueza e a quebra de rendimento físico e intelectual no final da manhã, reduz o apetite nas restantes refeições do dia, sobretudo no almoço, contribuindo para uma distribuição alimentar e calórica mais saudável e equilibrada ao longo do dia, diminuindo o risco de obesidade.
Todos nós beneficiamos com a ingestão do pequeno-almoço, mas as crianças e os adolescentes, por se encontrarem numa fase de grande crescimento e desenvolvimento, não devem mesmo privar-se desta importante refeição.
Hipoglicemia, mal-estar e má disposição geral, cefaleias, impaciência e agressividade e a diminuição da capacidade de resposta e de reflexos poderão ser algumas consequências de não se tomar o pequeno-almoço. O pequeno-almoço deve ser completo, equilibrado e variado, combinando todos os nutrientes necessários ao nosso organismo. Assim deverá obrigatoriamente incluir: pão (de preferência escuro) ou cereais integrais com pouco sal e açúcares (ler sempre os rótulos); um copo de leite ou produtos derivados e, idealmente, deve ainda incluir fruta ou sumo de fruta.
Mas, lembremo-nos! Se os pais não o tomarem não esperemos que os miúdos o tomem de livre e espontânea vontade…
A meio da manhã, as crianças devem fazer uma refeição ligeira de modo a não passarem mais de 3 horas sem comer. O ideal é levarem este lanchinho de casa. Os pais podem aproveitar para fazê-lo também! Esta merenda poderá ser composta, por exemplo, por uma peça de fruta, um sumo ou iogurte acompanhado por um pão.
Tanto o almoço, como o jantar devem iniciar-se com um belo prato de sopa, que tem como grandes vantagens uma elevada riqueza nutricional e um baixo valor calórico. De facto, a sopa é rica em vitaminas, minerais, fibra e água, componentes essenciais ao bom funcionamento do nosso organismo.
No contexto da alimentação das crianças, a sopa assume um papel acrescido dado que constitui, muitas vezes, a única forma destas ingerirem vegetais. Mesmo assim, por vezes, é uma verdadeira luta fazer com que as crianças (já para não falar de muitos adultos) gostem de sopa. Se os miúdos torcem o nariz à sopa, variar frequentemente, os ingredientes que constituem a base e os vegetais não passados que ficam a “nadar”, é uma excelente solução. Podendo também incluir massinhas de formas e cores diferentes (letras, pevides, estrelinhas) para se tornarem mais apelativas. Depois da sopa, o prato deverá ser constituído de massa, arroz ou batatas, carne, pescado ou ovos e vegetais cozinhados ou crus, de acordo com a preferência das crianças, mas variando sempre os alimentos.
Deve dar-se preferência ao peixe em vez da carne e não nos podemos esquecer de incluir feijão, ervilhas, grão-de-bico e outras leguminosas na alimentação das crianças. Confeccionar os alimentos da maneira que a criança mais gosta e a criatividade na decoração dos pratos, são chaves para o sucesso. Inventar histórias com os alimentos que lhes oferecemos são também excelentes opções. Para terminar a refeição a sobremesa deve ser composta por uma peça de fruta, deixando o doce para ocasiões especiais. E convenhamos: não é festa todos os dias!
A merenda da tarde não pode falhar e idealmente será composta por pão e leite ou derivados.
Algumas crianças gostam de beber um copo de leite antes de se deitarem, o que constitui um bom hábito.
Assim, deverá ser organizado o dia alimentar das crianças neste regresso às aulas. Mas, volto a lembrar: os pais são, por excelência, os modelos dos seus filhos! De nada adianta tentar ensinar as crianças a realizar uma alimentação saudável e a ter um dia alimentar saudável se, nós próprios, não cumprirmos as “regras”.
É evidente que para além dos pais e da família mais chegada, a escola, enquanto espaço educativo e promotor de saúde, deve criar cenários valorizadores de uma alimentação saudável, não só através dos conteúdos curriculares, mas também através da oferta alimentar em meio escolar, para que as nossas crianças e adolescentes, sejam progressivamente capacitados a fazer escolhas saudáveis.
Boas escolhas alimentares e um bom regresso às aulas!
*Texto desenvolvido pela Associação Portuguesa dos Nutricionistas (APN), parceira do Protege o que é Bom

















o texto é ótimo me ajudou no trabalho de nutrição e ainda pude dar dicas de como fazer a comida da escola as cozinheiras.
muito obrigado!
o texto e ótimo adorei este texto ate me ajudou a fazer os meus trabalhos de casa que era falar sobre a alimentação.