Dietas alimentares: Emagrecer em consciência (Parte I)

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a obesidade é uma doença em que o excesso de gordura corporal acumulada pode atingir graus capazes de afectar a saúde. É uma doença crónica, com enorme prevalência nos países desenvolvidos, que atinge homens e mulheres de todas as faixas etárias e etnias, reduz a qualidade de vida e acarreta elevadas taxas de morbilidade e mortalidade.

Em Portugal, mais de 50% da população adulta sofre de excesso de peso, sendo que, aproximadamente, 14% desta é obesa. Por exemplo, os homens apresentam maior percentagem de pré-obesidade e obesidade comparativamente às mulheres.

Portugal é também um dos países europeus com maior prevalência de obesidade infantil: 32% das crianças com idade compreendida entre os 7 e os 9 anos apresentam excesso de peso, sendo que 11% destas são consideradas obesas.

A obesidade resulta de sucessivos balanços energéticos positivos, em que a quantidade de energia ingerida é muito superior à quantidade de energia gasta pelo organismo. É uma doença multifactorial, sendo que os factores que determinam este desequilíbrio podem ter origem genética, metabólica, ambiental e comportamental.

A obesidade acarreta o risco de desenvolvimento de outras doenças crónicas, nomeadamente hipertensão arterial, doença cardiovascular, diabetes e diferentes tipos de cancro. Além disso, para além de provocar dificuldades respiratórias, problemas de ossos e articulações, também conduz a alterações sócio-económicas e psicossociais graves: isolamento social, discriminação laboral, educativa e social, baixa auto-estima, depressão e em casos ainda mais graves, suicídio.

A prevenção do excesso de peso e da obesidade consegue-se através de mudanças no estilo de vida, que assentam na reestruturação dos hábitos alimentares, no aumento da actividade física e desportiva e também na implementação de programas educativos, escolares e institucionais, de carácter multissectorial.

Não restam dúvidas de que para se perder peso é necessário, por um lado, reduzir-se o consumo de calorias e, por outro, aumentar o dispêndio energético através da actividade física. A ingestão de calorias pode ser reduzida de várias formas, no entanto, nem todos os planos de emagrecimento têm uma base científica e alguns deles podem ser até bastante perigosos. Os regimes da moda não fomentam hábitos alimentares saudáveis nem induzem um emagrecimento seguro e permanente.

As dietas drásticas que restringem o consumo de determinados grupos de alimentos, por exemplo, lacticínios ou cereais e derivados, ou aquelas que se baseiam no consumo de bebidas, batidos, sopas ou tabletes de baixo valor calórico que se destinam a substituir refeições, não conseguem fornecer o mesmo equilíbrio de nutrientes que uma alimentação correcta.

O êxito de uma dieta drástica, para a maioria dos seguidores, é de curta duração. Uma vez retomada a alimentação normal, verifica-se quase que um imediato aumento de peso e emagrecer tornar-se-á mais difícil da próxima vez que se faça dieta, o chamado fenómeno “io-io”.

Continuaremos à tarde a segunda e última parte do texto.

Fonte: APN – Associação Portuguesa dos Nutricionistas