É indispensável que Portugal defina e projecte a sua política alimentar a 20 anos, aplicando-a no terreno com técnicos adequados e articulados. Esta foi uma das principais ideias defendidas na última sexta-feira por Helena Ávila Marques, directora de Qualidade da Uniself e uma das participantes do Congresso de Nutrição e Alimentação.
Segundo a directora de Qualidade da Uniself, que falou sobre o tema “Entre a segurança alimentar e a hospitalidade – respostas possíveis para grandes desafios”, o conceito HoReCa (hotel, restaurante e catering) evoluiu, ao longo dos tempos, “de uma partilha gratuita e regida por códigos de conduta transversais, para a universalidade de serviços, pagos de acordo com a bolsa do cliente, que tem sempre razão”.
Foi precisamente o desenvolvimento económico científico, a inovação tecnológica, as estratégias de mercado e a falta de tempo vivenciada pelas actuais sociedades que impulsionaram a oferta de refeições fora de casa e refeições prontas-a-comer, caracterizadas, na sua maioria, por “comida de lazer” ou “comida transgressora”.
Apesar de serem evidentes os sinais de esforço de harmonização global e dos resultados satisfatórios dos padrões de segurança sanitária dos alimentos nos países-membros da Organização Mundial do Comércio (OMC), a crescente importância dos aspectos sanitários por parte de técnicos e autoridades oficiais tem levado à desvalorização do papel da saúde.
De facto, quando se fala em segurança alimentar – nos países industrializados – coloca-se em segundo plano outros aspectos também importantes, como os da segurança na disponibilidade, na adequação e no seu impacto na envolvente humana e ambiental.
E, a este nível, Portugal enfrenta vários desafios. A saber:
1. Necessidade de passar do papel de especialista de diagnósticos para o de actor em alguns domínios, tais como a criação de espaço interno para o comércio justo na cadeia alimentar;
2. Definir e projectar a sua política alimentar a 20 anos, aplicando-a no terreno com técnicos adequados e articulados;
3. Apropriação efectiva da ZEE (Zona Económica Exclusiva) como base de desenvolvimento e de diferenciação;
4. Elevação do nível de exigência de competências de gestão e de recursos humanos prévias ao licenciamento de actividades da hotelaria e restauração;
5. Aumentar as competências de auto-regulação das associações empresariais do sector e desenvolvimento de comportamentos promotores de saúde e de redução do desperdício alimentar.
E qual o objectivo destas cinco medidas? “Garantir a segurança da hospitalidade nos que acolhem e para os que são acolhidos”, concluiu Helena Ávila Marques, sugerindo que o canal HoReCa deverá estar consciente do seu impacto na saúde do consumidor.















