Congresso APN: Informação nutricional desvalorizada pelos consumidores de fast food

A principal razão que leva as pessoas a recorrerem aos restaurantes de comida rápida – ou fast food – relaciona-se com a acessibilidade. Enquanto a maioria das mulheres não repara na informação nutricional disponível nos menus, os homens dizem que já repararam neste tipo de informação, mas desvalorizam-na na sua tomada de decisão.

Esta é a principal conclusão de um estudo exploratório apresentado na sexta-feira passada por Ana Pinto Moura, professora da Universidade Aberta, durante o Congresso de Nutrição e Alimentação.

O estudo tinha como objectivo compreender o interesse do consumidor pela possibilidade do segmento fast food apresentar informação nutricional no seu espaço – e avaliar as reacções do consumidor a diferentes formas de informação nutricional, no sentido de promover escolhas alimentares mais saudáveis. O estudo inquiriu 25 participantes, que foram confrontados com a apresentação de vários menus e que tinham feito pelo menos uma refeição fast food no último mês.

Segundo o estudo, as mulheres sem formação superior recorrem aos espaços de refeição rápida nos centros comerciais quando vão às compras ou quando estão com pressa e não têm carro. A razão é simples: apreciam o sabor das propostas oferecidas.

Geralmente, optam por este tipo de espaços ao fim-de-semana, quando estão em família, ou durante a semana, quando estão com os colegas de trabalho. Para esta classe, a informação nutricional dos menus não interfere na decisão de escolha. “Quero tudo a que tenho direito” ou “mando dar uma volta às advertências” são algumas das afirmações recolhidas.

Já as mulheres com formação superior apresentam as seguintes razões para recorrerem aos restaurantes de fast food: conveniência, crianças, preço, sabor e diversidade de escolha.

À semelhança das mulheres sem formação superior, as mulheres com formação superior optam por ir aos espaços fast food nos centros comerciais quando vão às compras, mas também quando têm vários assuntos para tratar. “Quando recorro ao fast food não gosto de estar preocupada com a informação nutricional, para não influenciar a refeição” ou “quando vamos a este tipo de comida não pensamos se faz mal, já sabemos que tem calorias” foram as afirmações mais referidas.

Os homens sem formação superior referiram a rapidez do serviço, a acessibilidade, o preço e o sabor como as razões que os levam aos espaços de fast food. Recorrem a este tipo de serviço nos centros comerciais e fora dos centros comerciais, durante a semana (em situação profissional) ou ao fim-de-semana, em família. Para eles, a informação nutricional não interfere nas suas escolhas.

Por último, os homens com formação profissional apresentam a conveniência como a razão principal para escolherem os espaços fast food. Estes referem que a informação nutricional dos menus não interfere na sua escolha. E consideram que os menus saudáveis são importantes para pessoas com problemas de saúde.

Partindo deste estudo, Ana Pinto Moura referiu que a refeição fora do lar configura-se como a solução de conveniência que melhor mitiga as questões relacionadas com a falta de tempo e com os esforços cognitivos e físicos empreendidos na preparação de uma refeição. Além disso, o preço e o sabor concorrem com as preocupações nutricionais, favorecendo a escolha de soluções alimentares menos saudáveis.

Perante este cenário, a professora salientou a urgência de avaliar estratégias que permitam inverter esta situação e promover programas de educação alimentar a par da presença de informação nutricional nos espaços da restauração.