Uma em cada três crianças entre os dois e os cinco anos estão em estado de pré-obesidade ou obesidade, revela um estudo realizado no ano passado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade, em parceria com a Plataforma Nacional Contra a Obesidade, e que será discutido, hoje, no IX Congresso de Nutrição e Alimentação.
O estudo, citado ontem pelo Público, mostra que na faixa etária entre os dois e os cinco anos há 27,4% de rapazes e 30,8% de meninas em pré-obesidade ou obesidade. Já na faixa etária entre os 11 e os 15 anos, a percentagem de rapazes com pré-obesidade e obesidade é de 28,6%, descendo para os 27,8% no caso das raparigas.
“É uma prevalência significativamente elevada. Em cada três crianças, uma é criança de risco”, sublinhou Pedro Graça, coordenador da Plataforma Nacional Contra a Obesidade.
Na população adulta, Pedro Graça revela que os vários estudos apontam que metade dos homens portugueses tenha peso em excesso, prevalência considerada “elevada”. Na população feminina, o excesso de peso chegará “apenas” a 30% do total.
”Parece que esta diferença entre homens e mulheres tem vindo a aumentar. As questões estéticas podem ser reconhecidas, tal como as de saúde. Mas acima de tudo creio que os homens não estarão a fazer tanto investimento neles próprios. Há factores pessoais e sociais misturados”, comentou Pedro Graça.
Estes são alguns dos dados que serão debatidos, durante a manhã de hoje, no IX Congresso da Associação Portuguesa dos Nutricionistas (APN).
Aliás, um dos pontos altos do congresso é mesmo a apresentação dos números mais actuais da obesidade, diabetes e hipertensão em Portugal – respectivamente por Pedro Graça, Luís Gardete, do Observatório Nacional de Diabetes e José Alberto Silva, da Sociedade Portuguesa de Hipertensão.
Luís Gardete irá apresentar um estudo da prevalência da diabetes em Portugal datado de 2009 – o PREVADIAB. Sobre este problema, Alexandra Bento, presidente da APN, afirma que o preocupante é que “estudos recentes estimam que existam mais de 900 mil portugueses a sofrer de diabetes, dos quais quase 400 mil desconhecem ser portadores desta doença crónica”.
No que toca à hipertensão arterial, há um dado importante a reter: de todos os factores de risco cardiovascular, a hipertensão arterial é a que se associa mais à morte por doença cardiovascular.
Segundo dados citados pela APN, estima-se que a prevalência de hipertensão arterial na população adulta portuguesa seja de 42,1%, estando apenas 39% dos doentes hipertensos medicados com fármacos anti-hipertensores e 11,2% controlados.
A prática de erros alimentares leva a que estas doenças – que são as três principais causas de morte – e as Pandemias do Século XXI, estejam relacionadas com a má alimentação.
“Os portugueses comem carnes e gorduras em excesso e quase o triplo do sal recomendado”, disse ao Correio da Manhã Alexandra Bento. “O consumo recomendado de sal por pessoa é de cinco gramas diários, sabendo que a partir dessa medida o sal origina doenças. Verificamos contudo que em Portugal é consumido quase o triplo”, explica ainda a especialista.
Perante este cenário, qual é a solução? Alexandra Bento afirma que a solução passa por “ensinar” as pessoas a comer, devendo-se reforçar o número de nutricionistas no Serviço Nacional de Saúde. “Só existem 80 nutricionistas no País, parece-nos muito pouco”, acrescentou.
No Protege o que é Bom vamos acompanhar, nos próximos dias, as principais conclusões do congresso sobre estas e outras temáticas.















