A história da embalagem, parte 2 (1951 / 2010)

O ano de 1951 mudou para sempre a história das embalagens. Fundada na Suíça pelo Dr. Ruben Rausing, a Tetra Pak introduziu inovações que alteraram a forma como os alimentos são embalados e distribuídos em todo o mundo.

Foi também neste ano que a Tetra Pak lançou uma embalagem de cartão com um formato tetraédrico – e que chamou a atenção. Era um tipo de embalagem nunca antes vista e que, comparativamente com as outras embalagens, exigia uma quantidade mínima de material, não continha ar e apresentava elevados padrões de higiene. Isto significava a diminuição de custos em material de embalagem, menos consumo de energia e o aumento de vendas. Paralelamente, começaram também a aparecer mais oportunidades de distribuição e maior facilidade de manuseamento.

O lançamento de embalagens de cartão leves e higiénicas foi seguido pelo desenvolvimento de um novo material resistente que combinava papel, plástico e folha de alumínio.

Em 1961, durante uma conferência de imprensa em Thun, na Suíça, a Tetra Pak apresentou outra inovação – a primeira máquina de enchimento asséptico para obter um leite “livre de bactérias”. A tecnologia asséptica alterou profundamente a distribuição e venda de lacticínios e, mais tarde, toda a indústria de produtos alimentares líquidos de longa duração.

A evolução continuou e cada vez mais rapidamente. A abertura das grandes superfícies comerciais – supermercados e hipermercados – determinou inúmeras inovações na produção das embalagens. As novas embalagens deveriam permitir que os produtos alimentares fossem transportados dos locais de produção para os centros consumidores, mantendo-se estáveis durante longos períodos.

As embalagens de papel e de papelão responderam a estes requisitos, uma vez que podiam conter quantidades previamente pesadas de vários tipos de produtos, eram fáceis de transportar e empilhar, além de higiénicas.

Este facto revela a importância da evolução da embalagem no contexto do desenvolvimento da sociedade de consumo, já que os consumidores passaram a adquirir os produtos de acordo com a confiança que depositavam na sua aparência, ou seja, nas próprias embalagens.

O formato da embalagem passa, assim, a ser um elemento de diferenciação, uma referência inconfundível para muitas categorias de produtos e para algumas marcas: mesmo sem identificação (sem rótulo, sem marca) determinadas embalagens começam a ser facilmente reconhecidas.

Actualmente, a embalagem constitui uma importante ferramenta de marketing, tendo vindo a ocupar um lugar de destaque nas relações comerciais entre as empresas e o consumidor.

Os elementos visuais que constituíram as embalagens do século passado continuam presentes, ainda que de forma modificada, nas embalagens actuais. Faixas, selos, logótipos e imagens sugestivas do uso do produto continuam a compôr o seu visual e a torná-las apelativas.

A isto acresce ainda os avanços tecnológicos e a preocupação crescente das empresas com o meio ambiente, através da disponibilização de embalagens sustentáveis.

E desengane-se quem pensa que o futuro da embalagem não passa pela sustentabilidade. É daí que virão as próximas inovações deste mercado que fervilha de ideias a cada ano que passa.