Florestas, clima e segurança alimentar na agenda da CPLP

O papel das florestas nas alterações climáticas regionais e a relação entre clima e segurança alimentar são dois dos cinco temas que vão passar a ser investigados pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), através de um centro internacional de investigação climática que terá a sua sede em Cabo Verde.

Este centro de trabalho vai chamar-se Centro Internacional de Investigação Climática e Aplicações para os Países de Língua Portuguesa e África (CIICLAA) e, como o próprio nome indica, vai estar também aberto a outros estados africanos.

“[Este centro] poderá ter uma importância estratégica para o estudo do clima nas regiões dos oceanos Atlântico e Índico”, relevou ao jornal Expresso um dos dinamizadores do projecto, Sérgio Ferreira.

Como avançámos no início da notícia, existem, para já, cinco programas previstos: “Redução do risco de catástrofes naturais na CPLP”, “Aplicações de detecção remota à gestão dos recursos naturais”, “Energia e Clima” e os já mencionados “Papel da floresta no sequestro de carbono e a sua relação com as alterações climáticas regional” e “Clima e segurança alimentar”.

O centro, que terá autonomia administrativa e financeira, deverá ser formalmente lançado em Novembro próximo. Será enquadrado como Centro Especializado da CPLP.

Ainda de acordo com Sérgio Ferreira, o centro de investigação irá “lançar um desafio sério à actividade económica, porque [o seu objectivo] é que a investigação desenvolvida beneficie as empresas”.

Assim, as empresas serão – elas próprias – uma das apostas do futuro centro para o financiamento dos seus projectos. “[Isso] pode facilitar a obtenção de financiamento de programas internacionais”, explica Sérgio Ferreira.

“Existe capacidade técnica e científica na CPLP para desenvolver programas e projectos internacionais na área do clima”, explicou, por sua vez, o climatologista João Corte Real, outro dos dinamizadores do centro de investigação.

Finalmente, Corte Real admitiu que a missão principal do centro era “estabelecer serviços de informação climática nos países membros”, sendo que estes devem ter por base “investigações aplicadas nos domínios do clima, variabilidade e Alterações Climáticas, bem como nos decorrentes impactos, riscos e medidas de adaptação”.