Centenas de câmaras municipais de Norte a Sul do país estão a distribuir oleões nas ruas, noticiou o Público. Depois do vidro, papel, metal, plásticos e pilhas, é chegada a vez de recolher o óleo alimentar que as cozinhas portuguesas desperdiçam, isto é, entre 43 mil e 65 mil toneladas por ano.
A maioria vem do sector doméstico (62%), o resto da hotelaria, restauração e bebidas (37%).
Anteriormente, a recolha de óleos alimentares usados era promovida com contentores em escolas, juntas de freguesia, hipermercados ou quartéis dos bombeiros. A partir de 1 de Novembro de 2009, devido à entrada em vigor o Decreto-Lei n.º 267/2009, o desafio deixou de ser voluntário e passou a tornar-se obrigatório.
“A nossa primeira abordagem, no mandato anterior, foi promover acordos voluntários. Foi um esforço meritório mas não deu os resultados de acordo com a nossa ambição”, explicou Humberto Rosa, secretário de Estado do Ambiente. “Por isso decidimos avançar para um modelo obrigatório. Tínhamos a percepção de que o país já estava maduro“, acrescentou o responsável.
Actualmente, estão instalados 439 pontos de recolha de óleos alimentares usados em Portugal, de acordo com os dados mais recentes da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que não contabilizam os Açores, Beja, Évora, Setúbal e Viana do Castelo. Segundo o Decreto-Lei n.º 267/2009, até 31 de Dezembro de 2011, os municípios com mais de 300 mil habitantes devem disponibilizar, pelo menos, 40 pontos de recolha.
Em 2015, esse número deverá ser o dobro. Consoante o número de habitantes, o número de oleões também varia, até chegar aos municípios com menos de 25 mil habitantes. Estes devem disponibilizar oito pontos de recolha até ao final de 2011 e 12 até ao final de 2015.
Até ao momento, os distritos de Lisboa e o arquipélago da Madeira são aqueles que têm, na totalidade, maior número de pontos de recolha, entre 60 e 110. Além disso, várias têm sido as iniciativas que as autarquias estão a implementar neste sentido.
No Seixal, por exemplo, dez viaturas municipais são alimentadas com o óleo alimentar usado que os moradores entregaram, e a Câmara Municipal de Setúbal sensibilizou as escolas para ajudar na recolha destes resíduos.
De salientar ainda que, ao contrário do que se pensa, estes resíduos nada têm de inocentes. Segundo a APA, um litro de óleo doméstico deitado no ralo da banca da cozinha chega a contaminar, de uma só vez, um milhão de litros de água.















