O azeite e a dieta mediterrânica

A “Dieta Mediterrânica” reflecte padrões alimentares, descritos no final da década de 50, praticados especialmente em Creta, noutras zonas da Grécia, no Sul de Itália e ainda que com algumas variações, na bacia do Mediterrâneo Oriental, onde se inclui Portugal. Este termo refere-se particularmente aos padrões alimentares praticados em zonas da região mediterrânica onde se cultivava a oliveira. De uma maneira geral, caracterizava-se pela abundância de:

  • hortaliças, legumes e frutos frescos;
  • pelo consumo de cereais pouco refinados, frutos secos, sementes e leguminosas secas;
  • lacticínios à base de queijo e iogurte;
  • consumo de peixe, ovos e aves, em detrimento de carnes vermelhas;
  • vinho, especialmente tinto, às refeições.

Realizavam-se cerca de 4 a 5 refeições diárias, à mesa com familiares ou amigos, confeccionadas de forma simples, cujos ingredientes incluíam, obrigatoriamente, azeite, alho e cebola. O azeite era, de facto, a gordura de eleição. Ao contrário dos tempos modernos, os dias de festa diferenciavam-se bem dos dias comuns.

Ao longo dos últimos anos tem-se vindo a dar um ênfase especial à Dieta Mediterrânica. Isto porque, apesar do elevado consumo de gordura, os resultados dos vários trabalhos científicos evidenciam que este padrão alimentar está associado, entre outros, à diminuição do risco de doença cardiovascular, cancro, diabetes e até declínio cognitivo e aumento de qualidade de vida e longevidade.

Ao contrário de outras dietas ricas em gordura, como a dieta típica ocidental, a maioria da gordura da Dieta Mediterrânica provém de um único componente alimentar – o azeite. Isto explica o facto da dieta mediterrânica ser baixa em gordura saturada, colesterol e gordura trans e rica em gordura monoinsaturada.

A composição em ácidos gordos do azeite é semelhante à de outros óleos vegetais, como os óleos de girassol, soja e canola. No entanto, estes óleos necessitam de ser refinados antes do consumo, o que pode provocar alterações a sua composição original. O azeite, por sua vez, é obtido a partir de processos mecânicos e físicos que não induzem alterações da composição. Além de ser rico em ácido oleico, o azeite é ainda fonte de outros compostos que evidenciam características benéficas para a saúde, como por exemplo, vitamina E, fitosteróis, carotenoides e compostos fenólicos.

São vários os estudos que demonstram que a substituição da gordura saturada da dieta, por gordura monoinsaturada, contribui para a diminuição dos níveis de colesterol LDL (mau colesterol). Também se verifica que os níveis de colesterol HDL (bom colesterol) aumentam e os níveis de triglicéridos diminuem em dietas ricas em ácidos gordos monoinsaturados, comparativamente a dietas pobres em gordura e ricas em hidratos de carbono. Acresce também que o consumo de azeite está relacionado com o aumento da resistência à oxidação das lipoproteínas e gorduras insaturadas, conferida pela qualidade e proporção de ácidos gordos que fornece e também pelo seu conteúdo em antioxidantes.

Além de contribuir para a melhoria do perfil lipídico, alguns trabalhos sugerem que o consumo de azeite contribui também para a redução de outros factores de risco de doença cardiovascular. Assim, parece estar associado, entre outros, a uma diminuição da pressão arterial, à melhoria do metabolismo da glicose, exerce efeitos anti-inflamatórios e anti-trombóticos.

Contudo, apesar de todos os benefícios do azeite para a saúde, não nos podemos esquecer que se trata de uma gordura e como tal, quando consumido em elevadas quantidades, contribui para o aumento do peso.

Fonte
: APN – Associação Portuguesa dos Nutricionistas