Indústria alimentar promove hábitos saudáveis

As empresas da indústria alimentar que assinaram um compromisso de auto-regulação na publicidade para promover hábitos saudáveis e combater a obesidade infantil reúnem-se amanhã para discutir quem irá fiscalizar a medida.

“O que vamos discutir é a quem vamos adjudicar a monitorização”, disse à agência Lusa o director-geral da Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares (FIPA), que dinamizou a iniciativa. Segundo Pedro Queiroz, o objectivo é “dar continuidade, na prática, ao trabalho” iniciado com a assinatura de um protocolo por 26 empresas, em Novembro de 2009.

O encontro servirá para discutir modelos de monitorização da componente publicitária e definir passos futuros. Os responsáveis das empresas nomeados para este grupo de trabalho pretendem também estabelecer uma abordagem a algumas empresas que possam vir a aderir ao compromisso, além das 26 já envolvidas.

Esta iniciativa é “aplaudida” pela Associação Portuguesa de Nutricionistas (APN). “A auto-regulação é a maneira de excelência de funcionamento. Podemos ter legislação impositiva, que diga que não é possível fazer isto ou aquilo, mas o sucesso de qualquer iniciativa é sempre muito maior se vier de dentro”, afirmou a presidente da APN, Alexandra Bento.

Por isso, para a responsável o objectivo principal é “credibilizar a publicidade para crianças e ter alguns limites, nomeadamente em relação à quantidade de açúcar e aos horários em que é passada“. Alexandra Bento defende que o açúcar em si, a sacarose ou o que se chama vulgarmente o açúcar do açucareiro, que se adiciona em casa e é utilizado na indústria alimentar “em bom rigor não faz falta”.

O que é preciso, explicou, “é chegar ao final da digestão e ter a glicose”, o que tanto se consegue com o pão, o arroz, a massa, a batata e uma peça de fruta como com o açúcar do açucareiro, sendo que o último “não aporta mais nenhum benefício nutricional“.