Café e cafeína

A cafeína é a substância psicoactiva mais usada em todo o mundo, por ambos os sexos e praticamente por todos os estratos sociais. Apesar de ocorrer em mais de 60 espécies de plantas, a cafeína presente na nossa alimentação provém sobretudo do consumo de café e de chá. Outras fontes alimentares incluem o chocolate, o cacau, o mate, as bebidas energéticas e as “colas”, estas últimas, particularmente apreciadas por crianças e adolescentes.

Os efeitos da ingestão moderada de cafeína no Sistema Nervoso Central são o principal atractivo para o consumo de bebidas cafeinadas: aumento do estado de alerta, alívio da fadiga física e mental, estímulo do raciocínio e diminuição do tempo de reacção.

Além de estimular o sistema nervoso central, a cafeína apresenta acção diurética, dilata as vias respiratórias, estimula a produção de ácido no estômago e aumenta ligeiramente o peristaltismo gastrointestinal.

Em doses moderadas, não provoca quaisquer transtornos em pessoas que gozem de boa saúde física e mental.

Muito embora a sua toxicidade seja reduzida, o consumo de cafeína pode criar habituação. A ingestão excessiva de café e de chá pode causar, entre outros, ansiedade, insónia, irritabilidade e taquicardia. Uma pessoa que esteja habituada a tomar café diariamente, quando deixa de consumir de forma súbita e total, pode sentir, por exemplo, dores de cabeça, tremores, ansiedade e letargia (sintomas de privação).

De referir que os efeitos da cafeína no sistema nervoso central variam de pessoa para pessoa. Essas diferenças devem-se não só a factores fisiológicos, por exemplo, tempo de esvaziamento gástrico, absorção de cafeína pelo intestino e semi-vida plasmática, mas também a factores genéticos e de personalidade. A maioria da população parece saber auto-limitar a ingestão de cafeína, de modo a tirar partido apenas dos seus efeitos benéficos, reduzindo ou prevenindo a ocorrência de efeitos adversos, pelo excesso de consumo ou pela ingestão a horas inadequadas.

São vários os estudos que relacionam a ingestão de café com a saúde. De uma maneira geral, o consumo moderado de café não está relacionado com prejuízos na saúde, pelo contrário, as evidências científicas sugerem que o consumo desta bebida poderá estar associado a uma diminuição do risco de Doença de Parkinson, cancro do cólon, diabetes tipo 2 e cirrose hepática.

A cafeína aumenta a excreção urinária de cálcio, tendo-se sugerido, por isso, que poderia ser um dos factores de risco para a osteoporose. No entanto, as evidências apontam para que um consumo moderado de café, desde que acompanhado por uma ingestão suficiente de cálcio e vitamina D, não esteja associado a uma diminuição da densidade mineral óssea nem a fracturas, factores intimamente relacionados com a osteoporose.

Alguns estudos sugerem que o consumo de café sobretudo quando preparado à moda dos países escandinavos (fervido e não filtrado) ou em cafeteira (French Coffee), está associado a um aumento dos níveis de colesterol total e colesterol LDL (mau colesterol) e portanto a doença cardiovascular. Estes resultados devem-se à presença de duas substâncias (cafestol e cafeol) que são constituintes naturais dos grãos de café e que são responsáveis pelo aumento dos níveis de colesterol. De referir, no entanto, que quando o café é filtrado, estes compostos ficam retidos no filtro de papel, não exercendo influência nos níveis de colesterol. Apesar do café expresso apresentar concentrações elevadas de cafestol e cafeol, dado o reduzido tamanho da porção, não se pode considerar que seja uma fonte alimentar muito relevante. O café instantâneo é pobre nestes compostos.

Apesar do consumo moderado de café apresentar benefícios para a saúde de adultos saudáveis, algumas pessoas devem limitar a sua ingestão, nomeadamente grávidas, pessoas com problemas gástricos e aquelas mais sensíveis à acção da cafeína no sistema nervoso central. Para maior segurança é preferível perguntarem ao médico se podem beber café (ou outras bebidas com cafeína) e em que doses.

Para adultos saudáveis, a ingestão de cafeína deve limitar-se a um máximo de 300 mg/dia, sendo que o consumo de café, chá e outras bebidas cafeinadas é desaconselhado a crianças e adolescentes.
 
Para se ter uma ideia e de acordo com a Roda dos Alimentos, um café expresso comprido tem, em média, cerca de 125 mg de cafeína, enquanto que um café curto tem aproximadamente 104 mg deste estimulante.

Fonte: APN